Do pensamento estratégico à sua execução

O termo “estratégia” remete há milhares de anos, ainda no período de formação dos principais Estados dos cinco continentes – talvez até mesmo antes. Surgido nos ambientes militares, em meio as disputas territoriais e guerras entre tribos e nações, a palavra inicialmente designava um conjunto de ações implementadas com o objetivo de derrotar o exército inimigo.

Séculos depois, o termo, assim como a humanidade, evoluiu e ganhou novos significados. Continuamos a fazer guerras e disputar poderios ao redor do globo. Mas hoje, com o auge do sistema capitalista e a solidificação das grandes corporações, a verdadeira guerra se faz no ambiente empresarial. Empresas disputam seu espaço no mercado e, por isso, as organizações precisam definir suas táticas com base em seus autoconhecimentos e nos estudos e análises de suas áreas de atuação, incluindo dados sólidos sobre as forças e fraquezas de seus concorrentes diretos e indiretos. Nesse contexto de guerras empresariais e competitividade exacerbada, a estratégia aparece como a arte de se alcançar resultados por meio de um conjunto de áreas de conhecimento que, quando corretamente aplicadas, culminam na possibilidade de que os prospectos estabelecidos sejam finalmente alcançados.

Existem inúmeros estudos sobre como desenvolver e implantar uma boa estratégia, todos com seus pontos fracos e pontos fortes. Seja qual for o caminho que você deseja para sua empresa ou mesmo para sua vida, o fato é que toda boa tática começa com o pensamento ou planejamento estratégico.

O pensamento estratégico eficaz e completo deve ser voltado para a organização em sua totalidade. Só assim ela é capaz de transformar a visão em realidade. Para cumprir seu propósito e adquirir sucesso no papel de líder e empresário é preciso o desenvolvimento de habilidades que naturalizem o pensamento estratégico, como a determinação da liderança, o aprimoramento do trabalho em equipe, a proficiência em gestão de crises pontuais até as mais graves e, é claro, o autoconhecimento empresarial e a autocrítica – fatores muito importantes na visualização dos problemas internos de gestão e administração.

Apenas com um bom pensamento estratégico é possível que se conclua com sucesso as próximas etapas da estratégica: os planos táticos e operacionais. O tático, nas empresas, está relacionado ao detalhamento dos meios para atingir os objetivos e metas da organização. Grosso modo, podemos afirmar que o planejamento tático é na realidade um desdobramento do planejamento estratégico, uma decomposição do plano principal para cada setor ou área de uma empresa. Por fim, existe o planejamento operacional, com planos elaborados e focados em curtos prazos.

É importante ressaltar que se, quando finalizadas as etapas, os resultados não forem alcançados, a estratégia não foi utilizada, e sim um mero conjunto de etapas sistematizadas e divididas em processos e ideias. Existem, com certeza, erros estratégicos, mas estes são fáceis de ser evitados quando existe uma boa base, ou seja, um bom pensamento estratégico. Quando bem formulado, não existe estratégia ruim ou falha. Para se ter uma estratégia sólida e eficiente, é essencial a observação da totalidade do ambiente e as suas variáveis – enxergue os prováveis resultados e antecipadamente planeje tudo para alcançá-los. Atue diretamente sobre cada uma das etapas e acompanhe de perto cada pessoa, medida e processo. Faz parte do pensamento estratégico estar sempre dois passos à frente, identificando possíveis erros e crises.

A construção de um bom pensamento estratégico demanda tempo e cautela, e é por isso que, num contexto onde a tecnologia é dominante e as informações viajam a uma velocidade cada vez mais assustadora, a grande maioria das empresas brasileiras não adotam essa prática. E é por isso que, diante das mais simples crises institucionais ou econômicas, muitas empresas acabam ruindo e encontrando seu fim. Essa falha tem sido um problema administrativo tanto no ambiente corporativo quando na administração pública.

Para que possamos suprir essas falhas, seja no meio empresarial, governamental ou dentro de nossas próprias casas, é preciso pensarmos estrategicamente. Sucesso e propósito dependem diretamente de planejamentos constantes. A falta dessa prática frequentemente ocasiona a morte prematura das grandes ideias.

  • Fonte: Antonio Carlos de Oliveira