O crepúsculo de 2017: valeu a pena?

2017 está chegando ao fim. É hora de refletir sobre o ano que passou e colocar na balança as vitórias e derrotas conquistadas pelo país e pelo povo brasileiro – sempre buscando sanar e otimizar as faltas durante o ano que se aproxima.

Apesar de ter sido caracterizado por muitos como “catastrófico”, 2017 foi, na realidade, um ano de altos e baixos. A partir do segundo trimestre, a economia tem mostrado, finalmente, sinais de recuperação. Analistas consultados pelo Banco Central preveem um aumento sensível no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o que indica o início de uma retomada do crescimento do PIB para 2018. No que tange à inflação, um dos índices mais temidos pelos brasileiros, as previsões de alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saíram de 3,98% para 3,96% em 12 meses e de 3,06% para 3,03% em 2017. As taxas de desemprego, embora continuem mais altas que as de 2016, também recuaram: no trimestre terminado em agosto, o Brasil tinha 13,1 milhões de desempregados – uma queda de 4,8% em relação ao trimestre terminado em maio. Associados à retomada do PIB, estão outros índices promissores como o crescente fôlego do consumo familiar e a queda nas taxas de juros.

Mesmo com esta recente impulsão da economia brasileira e o rascunho de um cenário socioeconômico mais estável, a luz no fim do túnel ainda parece uma visão distante. 2017 atingiu níveis recordes de escândalos de corrupção envolvendo membros do governo e empresários de renome, jogando na lama a credibilidade e a legitimidade do governo Temer e seus aliados. No que diz respeito à população, o cenário ainda não se mostra favorável.

No primeiro semestre deste ano, foram registrados 28,2 mil homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios, casos de roubos seguidos de morte, segundo a Secretaria de Segurança Pública – dados que indicam uma crise nesse setor. O número é quase 7% maior do que o do mesmo período no ano passado.

Além do predominante sentimento de insegurança, os números relacionados à pobreza também cresceram no país, pelo segundo ano consecutivo. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o encolhimento da economia entre 2015 e 2016 fez com que o contingente de brasileiros pobres aumentasse para 22 milhões em 2017 – o que também culminou num aumento da desigualdade. O Brasil caiu 19 posições no ranking de desigualdade social da Organização das Nações Unidas (ONU) e aparece, agora, entre os dez países mais desiguais do mundo. Em relação à saúde, o Brasil conta com a maior taxa de transtornos de ansiedade e depressão do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Está claro que, mesmo com uma melhora e o desenho de um cenário econômico favorável, ainda temos um longo caminho a ser traçado no ano que se inicia. Ainda que reconheçamos as melhoras, é preciso pensar estrategicamente: será que, em um processo de contabilidade social, estamos de fato obtendo resultados positivos para a sociedade ou os avanços conseguidos tiveram apenas o intuito de manter o atual governo no posto de comando? Os resultados positivos na economia têm refletido na vida dos menos favorecidos?

Dúvidas e questionamentos se desdobram cada vez mais – e devemos almejar saná-las e respondê-las em 2018, pelo bem do Brasil. Até quando iremos aceitar a doce ilusão de que estamos sendo governados por pessoas sérias?

Fonte: Antonio Carlos de Oliveira