O empoderamento da mulher executiva nas empresas familiares

Que ser mulher é muito mais do que batom, salto, saia e cabelos sedosos, todo mundo parece já saber. Mas, mesmo sendo homem, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que isso não é nada perto do que a mulher verdadeiramente representa.

Ser mulher é ter força, coragem, dureza, persistência, determinação e sabedoria. É batom, se ela quiser, mas com muita garra. É salto, se lhe for conveniente, mas com muita autoconfiança.

Em sua fase adulta, algumas vezes, quando se tem essa vontade, é ser mãe. E quando mãe, responsável pela formação e construção de um novo ser humano. Tal responsabilidade não a abala ou esmorece. Pelo contrário. A maternidade lhe confere uma força impossível de ser medida. Educar não é fácil. É um desafio sem tamanho. Principalmente diante da realidade vivida nesse século.

Algumas vezes, além de mulher, mãe. E além de mãe, provedora. Em algumas vezes seu parceiro não é capaz de suportar o peso da responsabilidade familiar. E mais uma tarefa recai sobre ela.

Isso significa e justifica sua crescente participação no mercado de trabalho, e como conseqüência, o ingresso exponencial de mulheres nas universidades. Tamanha responsabilidade reflete em maiores esforços para que ela esteja preparada para tomar o laço desse touro chamado vida real, e não a vida de princesa que lhe pintaram.

Dados da última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, divulgada neste ano, mostram que 18,8% das mulheres economicamente ativas já completaram ao menos um curso superior. Entre os homens, este número cai para 11%. Elas ganham dos homens também entre os brasileiros com ensino médio completo: 39,1% contra 33,5%.

No mercado de trabalho essa realidade não é diferente. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em 2004 havia 12,5 milhões de trabalhadoras com carteira assinada. O número quase dobrou em 2014, quando chegou a 21,4 milhões, 43,25% do total.

Então fica evidente que dentro das empresas elas também têm conquistado o seu espaço. À sua maneira, a mulher consegue modificar hábitos com a delicadeza e a clareza necessária para despertar o envolvimento de cada indivíduo e a importância da mudança de cada um. Diante dessa e outras qualidades, ela passou a ser mais valorizada e conquistou um lugar extremamente importante no mercado de trabalho e na sociedade, ocupando, algumas vezes, os melhores cargos em uma empresa.

Empreendedora, proativa, criativa, dona de iniciativas sensatas, as mulheres, em sua maioria, possuem a habilidade de estabelecer objetivos e fazer um planejamento para alcançá-los, sempre com persistência. Superam barreiras e possuem a coragem necessária para correr os riscos das transformações do dia a dia empresarial. Tudo isso, acumulando as funções de esposa, mãe, amiga, filha e etc.

Mas mesmo diante desse cenário do mercado de trabalho, algumas vezes, dentro de casa, essa realidade se faz diferente. Não raramente a participação das mulheres nos negócios familiares permanece invisível, apesar do papel imprescindível em muitos aspectos. Pesquisas apontam que é a mãe, utilizando suas habilidades naturais de acolhimento e afetividade, que na maioria das vezes marca a tendência das relações.

Pensando estrategicamente, são indiscutíveis as contribuições dessas mulheres para o êxito e continuidade das empresas familiares. Elas fomentam união, harmonia e equilíbrio emocional da família – o que ajuda a empresa a superar novos desafios. São leais e sensíveis às necessidades gerais e individuais da companhia.

Ainda que quase em 100% dos casos um gigante invisível, conforme afirmou Christine Blondel em seu livro “Las Mujeres y la Empresa Familiar: funciones y evoluciones”, a mulher desenvolve papéis primordiais em suas empresas, como transmissão e formação de valores, garantia de formação das próximas gerações e boa comunicação.

Muito se fala sobre o empoderamento feminino, e esse desafio tem sido vencido gradativamente. Graças à imprensa, redes sociais e à força popular, a sociedade está começando a reconhecer de forma séria e contundente a importância da mulher no mercado de trabalho e no mundo empresarial, em que sua participação sempre foi indispensável, mas que por tantas décadas permaneceram ignoradas. É preciso agora que essas mulheres estejam preparadas para esse movimento crescente. Acabou-se o tempo em que elas eram apenas suporte para as relações familiares. Agora são efetivamente gestoras do negócio, assumindo seus papéis, competências e habilidades, e assim tomando as rédeas de suas vidas, empresas e realidades, podendo finalmente contribuir para a resistência e conservação das suas empresas familiares.

Fonte: Antonio Carlos de Oliveira